Pensamento do Dia:

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A CLIO DESPEDAÇADA



HISTORIADOR DAS ULTIMAS DÉCADAS DO SÉCULO XX VIU-SE ASSIM AUTORIZADO, TANTO PELA TENDÊNCIA À HIPERESPECIALIZAÇÃO DO HOMEM MODERNO COMO PELA NOVAS MODAS HISTORIOGRÁFICAS, A CUIDAR ZELOZAMENTE DO SEU PEQUENO CANTEIRO, COMO SE NADA MAIS IMPORTASSE ALÉM DE UMA ROSA RARA (JOSÉ BARROS)

No texto de Barros, A Clio despedaçada, o autor traça alguns aspectos muito interessantes de serem pensados. relembrando o mito da musa Clio, cuja função era preservar os acontecimentos e feitos dos homens na memória, podemos traduzir esta expressão: A CLIO DESPEDAÇADA, para uma situação um pouco mais gritante, a história estaria despedaçada? o que isso implica na construção desta ciência?
Como a própria citação acima diz, isto não é uma questão só do historiador, mas um fenômeno típico da modernidade, o conhecimento na modernidade é por natureza fragmentado, nas ciências médicas por exemplo, temos um especialista em ortopedia da mão, do braço, dos dedos enfim cada qual se foca apenas numa perspectiva de seu objeto de estudo, há portanto como no texto citado uma hiperespealização, e isto pode de certa forma gerar alguns problemas irremediáveis.
Se usarmos para exemplificar uma imagem que é ampliada com o intuito de se perceber apenas um detalhe da cena, pode-se incorrer no risco que se a imagem por demais ampliada perca-se a visão do todo, e tal cena ou imagem, perdendo o foco não fará o menor sentido, neste caso vemos que o todo se perde em vista dos particulares.
É interessante perceber que nesse movimento dentro da história, quando contaminada por esta visão de hiperespecialização, se corre o risco de cometer alguns "pecados" historiográficos. o especialista em história econômica por se focar muitas vezes somente nas implicações numéricas e percentuais, pode se esquecer das implicações sociais advindas de um determinado comércio por exemplo, assim como muitas vezes as implicações que resultaram num objeto de estudo próprio da história política, as relações de poder ali estabelecidas, sendo assim é lógico que o historiador não poderá e nem conseguirá abarcar todas as luzes que possam ser lançadas no determinado objeto de estudo, mas isto não implica de nenhuma forma que o historiador não possa lançar mão de outras visões, de outras formas de se perceber a história, e principalmente de notar como a teia do conhecimento histórico se entrelaça.
O autor não nega a importância da especialização, mas ressalta o desafio que o historiador enfrenta e deve enfrentar, o de não se perder em seu próprio mundo, aproximar-se nem tanto que perca a visão do todo, nem afastar-se demais que perca os detalhes.

Um comentário:

  1. Adoeri a explicação, bem clara e objetiva. Não é texto cansativo, parabéns Alexandre Bernardo.

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